terça-feira, 25 de agosto de 2009

Batata Moderna


Para Karinna França

Não queira saber
De onde vem os abusos
De ninguém.
Muito menos os dela.
Veja o lado bom:
Aquela mistura
De pintura
Tão pura
Verde, Azul
Vermelha e amarela
Fresquinha saída de sua aquarela
E o tanto, o como
O passo e o corpo
Em que parece eterna.
E não se esqueça da moderna
Batata da perna
Que ela tem.

.vernon bitu.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Puxando Conversa

E se eu quebrar o silêncio
Deixando os cacos na sala
Pra furar os pés da noite
Pra sangrar a madrugada
Com a cor mais engraçada
Com a palavra que foge
Da boca despudorada

E se eu acordar o sol
Mas você ficar calada?

.vernon bitu.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Pintura

Pinta em minha face
O mais belo sorriso
Mesmo que não
Mesmo que não tenha
A intenção de vender a tela
Sê Tarsila, Anita ou Frida
Ou qualquer desconhecida
Mas pinta
Pinta um sorriso qualquer
Pinta o sorriso de um pinta
De um mendigo ou transeunte
Pinta pra jogar fora
Melhor que guarde pra ti
Pinta assim da cor do céu
No por do sol da cidade
Pinta em mim um escarcéu
Mas pinta felicidade!

.vernon bitu.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Insanidade

Para todas as loucas.

Aos vinte e oito
não casei
nem tive filhos
mas tive todas as loucas
da cidade.
Eu sei que quando acabar
o insano serei eu.
Aos vinte e oito.
Ah, insana idade
quem sabe um dia
eu inda seja o Marquês de Sade!

.vernon bitu.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Massa

O que é que há em mim
Que eu não vejo
Dor, amor ou medo?
Ou só desejo
De ganhar beijo?

O que foi feito de mim
Que não me acho?
Poeta, pateta, palhaço?
Teu irmão ou teu macho?

Pela janela o tempo passa
Eu noto
Ele é correria
Eu, foto
Perdendo cores
Contando horrores
Plantando flores
Pra colher dores.

Com o que resta de mim
O que eu faço?
Uma calça jeans
Ou samba de breque?
Um doido varrido
Ou moleque?
Um pai de família
Ou chofer de praça?

Já sei
Faço poesia
Pra vida que passa
Que passa, que passa.
Massa, faço uma massa
Massa de esculpir sorriso
Massa pra decorar quem sou
Massa de fabricar abrigo
Massa de modelar amor.

.vernon bitu.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Vazio

Acordei com a chuva dando em mim
a mesa posta de latas de cerveja vazias
carteiras de cigarros secas
palitos de fósforo queimados
e um espelho denunciando, a mim mesmo, a minha solidão!

Era segunda.
Talvez a milésima segunda
vez
que eu acordava assim numa segunda:
O corpo inteiro no cio
e a cabeca, o coração
o peito e a barriga
todos cheios de vazio.

.vernon bitu.

sexta-feira, 31 de julho de 2009

O que?

O que ela traz dentro do bolso
além de medo
cinco dedos
e um coração bem generoso?

O que ela traz por trás da íris
além de sonho
de mistério
e um invertido arco-íris?

O que ela guarda no armário
além de roupas
de um passado
e de um pôster do Romário?

O que ela espera pro futuro
além de um doido
varrido
pulando o seu muro?

.vernon bitu.

domingo, 26 de julho de 2009

Perdão

Perdão por todo o tormento
pelo cinza do meu céu
pelo fogo no teu véu
pela chuva e pelo vento.

Perdão pelo atraso na chegada
pela pressa na saída
pela casa colorida
em que não fiz tua morada.

Perdão por tudo que agora passo
pelo que não foi real
por tudo que te fez mal
pelo que foi só fracasso.

Perdão pelo meu jeito bamba
por meu beijo em tua boca
pela nossa história louca
que não pôde virar samba.

Perdão pela minha insensatez
pelo frio que te cobre
pela minha rima pobre
e pela última vez.

Perdão pela agonia que me deu
pelo cio que inda me resta
por tudo meu que não presta
pelo eu que não fui eu.

.vernon bitu.

Avenida

Cava minha veia, cava
desentorta a minha aorta
cateteriza tudo em mim
meus amores e minha vida
que meu coração beco estreito
se fez avenida!

.vernon bitu.

sábado, 25 de julho de 2009

Contrato com a Loucura


P/ Amanda Padilha, Babi Baracho e Jota Mombaça

Rescindi meu contrato com a loucura
e agora ela me causa problemas
já nem aceita que eu fale em seu nome
diz que me odeia
só que não some;
Está em todos em minha volta
e o portador
aqui, acolá
comigo se revolta;
Ela se aquieta
com quem não liga
quem não dá bola
quem não faz conta de juízo
com quem, na verdade, não faz conta de nada
simplesmente vive o que pensa
e pensa o que escreve
e escreve no caderno, na areia
na asa de um beija-flor
no braço de um violão
no palmo que mede a dor
e na palma da minha mão.
Afinal, eu soube ontem
que poesia não tem idade;
Nem razão.

.vernon bitu.